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Blog do Laerte
a única verdade é a ficção
"Não, você não sabe, você não sabe como
tentei me interessar pelo desinteressantíssimo..." (Caio Fernando Abreu)
Desculpa, eu tentei.
Ali estava.
Sentada na sala, todos os dias.
Oferecendo o melhor sorriso com as mãos apertadas na saia.
A minha ironia refinada
E você riu
( quantas vezes?)
do meu sarcasmo.
Mas por que sempre no olho do teu sorriso esse fio de raiva?
Eu te disse coisas bonitas
Gostava de ver você sorrir.
Eu te disse “saudade”, “afinidade” e um bocado de “sim”.
E por que de volta só tuas palavras e sentimentos virando rápido a esquina?
Eu gastei o que não tinha para te visitar em outra cidade.
Organizei os teus remédios.
Confiei o segredo do meu corpo descoberto.
E no meio desse encontro de sábado sei que perdi.
Perdi para tua postura de bote
Para a sensação riscada na carne, pendurada no teu sorriso crispado
Que falei além.
Descer as escadas da tua casa
Correr, fugir...
Eu que digo demais
Para tentar te ensinar um pouco de entrega.
Eu juro que tentei.... Mas acho que...
Não que eu seja santa.
Só tentei que acontecesse contigo
E eu...juro... que.
"- Obrigada pelos livros!"
Terminei.
E daqui pra frente te deixo livre pra pensar o pior de mim.

Fabi!!
Alma de poeta,
Rabisca a janela... com sinuosos esboços!
Tem fome, come...Letras!
Ressucita os imortais das horizontais
Come Caio, Machado, Nietzsche, Shakespeare
Despe-se de preconceitos,
Saboreia linhas,versos , escritas em rimas raras...
Lava da alma os resquícios de mágoas
Alça vôo ao indefinível,
Liberta-se para várias primaveras!
E no rabisco adormecido, inflama a dormente chama,
VIVE!!
Elisa Beatriz ( 7/9/2009)

Eu contei uma história para meu filho. A história do que não vivi. E ela era tão mágica e fascinante que a arrematei com detalhes generosos do não-acontecido. Sorria quando falava dos amigos que não abracei e daquela vez… Bom, daquela vez engraçada em que varei a noite bêbada na praia, nesse dia que nunca existiu.
Passei a tarde contado vários episódios significativos para mim e que nunca aconteceram ou sequer aconteceriam. Dancei, imitei vozes nunca ouvidas, fiz gestos inatingíveis com as mãos.
Meu filho olhava fascinado. E ali soube que sou muito mais não do que sim.
Por que assim tão perto?
Pra dizer, boca sem pausa,
Sua respiração
Silábica,
Estranha.
E por que assim tão próximo?
Sussurrando fa-bi-a-na
Que ardem
Na devassidão
De teus lentos atos extremos
Meu pulso dói com a força
Dos teus dedos.
Dói?
E este olhar chegando
Da sombra, da luz.
Todos os lugares,
Ao som de chuva,
Para além dos desvios da pele
Ocupando meu espaço.
Fabiana Farias
Ao som de "Protège-Moi" - Placebo
Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa.
Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive
- Ricardo Reis