De Elisa


Meu aniversário foi no dia 7 de Setembro. Mas dele já me esvaziei, passou e fiquei com as lembranças lindas do dia.
Dessas lembranças posto essa jujuba da poeta-nova Elisa Beatriz. Mistura de sensibilidade, elegância e intensidade. O poema dela vibra! Vibrou muito mais no meu coração!





Fabi!!


Alma de poeta,
Rabisca a janela... com sinuosos esboços!
Tem fome, come...Letras!
Ressucita os imortais das horizontais
Come Caio, Machado, Nietzsche, Shakespeare
Despe-se de preconceitos,
Saboreia linhas,versos , escritas em rimas raras...
Lava da alma os resquícios de mágoas
Alça vôo ao indefinível,
Liberta-se para várias primaveras!
E no rabisco adormecido, inflama a dormente chama,
VIVE!!


Elisa Beatriz ( 7/9/2009)

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Do não



Eu contei uma história para meu filho. A história do que não vivi. E ela era tão mágica e fascinante que a arrematei com detalhes generosos do não-acontecido. Sorria quando falava dos amigos que não abracei e daquela vez… Bom, daquela vez engraçada em que varei a noite bêbada na praia, nesse dia que nunca existiu.

Passei a tarde contado vários episódios significativos para mim e que nunca aconteceram ou sequer aconteceriam. Dancei, imitei vozes nunca ouvidas, fiz gestos inatingíveis com as mãos.

Meu filho olhava fascinado. E ali soube que sou muito mais não do que sim.



Fabiana B. Farias

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Fim das férias

Por que assim tão perto?
Pra dizer, boca sem pausa,
Sua respiração
Silábica,
Estranha.


E por que assim tão próximo?
Sussurrando fa-bi-a-na
Que ardem
Na devassidão
De teus lentos atos extremos


Meu pulso dói com a força
Dos teus dedos.


Dói?


E este olhar chegando
Da sombra, da luz.
Todos os lugares,
Ao som de chuva,
Para além dos desvios da pele
Ocupando meu espaço.


Fabiana Farias



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Dia triste...

Estou na chuva.
As pessoas correm,
Mas eu não quero correr.
Quero sentar e chorar,
Quero deitar e morrer.




Fabiana Farias

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Na noite suja...


Na noite suja


Nesta noite suja
Já não me revelo nada.
Descontínuo e sem salto

(Nas escadas, a terceira porta, fim do corredor)
Sou parte dos sinais exteriores
E o que explico aqui ou além
Da vida que insiste
Em plurais irregulares
Termina em teu corpo nu, oferto
Em seio, ventre, coxas.

E isto
Não explica nada

Nesta noite suja,
Para protegê-la do sol,
Só eu existo
(Sem revelação)
O resto
É invenção da mente.



Fabiana Farias



Imagem:Jenny Holzer

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Dominato


Santíssimo,
Ontem apalpei com os pés
Tua estrutura macia
E na perfuração,
Em meio a qualquer coisa que fede
E recende a bocas unidas que sussurram conspirações
O branco absoluto de seus ossos
A fixação impassível destes olhos.
Santíssimo,
Eu esqueci de tua oração










Link para este poema em catalão aqui. No site de Joan Navarro.

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Não seja sozinho...

Para Wellington



Há um buraco.
E isso eu sei bem antes de você chegar
Quando soube que podia me preencher
Te agarrei com unhas e olhos,
E teu corpo perto do meu, firme e constante
Me garantia para sempre esse estado indubitável de ternura
Sua respiração é mágica, querido
E eu já sabia disso antes de poder respirar.



Fabiana B. Farias - 2008

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Incomunicável

para Caio Fernando

São duas da tarde, eu reparo no relógio atrás de você, por trás do silêncio e de sua respiração. Você está de olhos fechados, eu imito e vejo amarelos furiosos que esperam. O que tento dizer escapa pela boca em outras palavras, nas previsões de tempo, nalgum maremoto na costa da Califórnia ao que você tem suas considerações desconsideráveis que escuto atento e o que não foi dito escapa pelos deslizes da fala que não fala e não cala, nos dedos que se entrelaçam aos seus. Toda aquela coisa negra sem nome se desenrola por dentro de mim, ataca o sangue , os ossos e parece ceder ao assombroso silêncio de tua devassa atenção ao esmalte vermelho das unhas. A saliva acumula inútil, inútil na boca.
Eu revelo algum segredo com um profundo suspiro, interrompido pelo preço absurdo das ações de uma antiga usina nuclear, eu resmungo involuntariamente, um “pensamento-pronto-econômico”. Você repara a coisa negra que observa pelos meus olhos.
Eu suo enquanto seu riso frente ao meu pêlo eriçado soa levemente histérico, sua cabeça queda para trás num redemoinho de cabelos vermelhos. Algo foi dito e eu despejo o que resta de escuro em mim neste “pois é” oco que é respondido inteligentemente com sua tosse molhada, sóbria. Chove e você parte. O relógio marca oito da noite e pelo vidro eu vejo você.
É, você entendeu.



Fabiana B. Farias
(Escrito no Natal de 2003)

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